Quatro meses antes de matar dois colegas de trabalho no Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), no Rio de Janeiro, o autor do ataque havia acionado a Justiça alegando ser vítima de assédio moral dentro da instituição. Segundo documentos judiciais, ele afirmou ter tido suas funções esvaziadas após ser transferido de setor, o que, segundo ele, teria causado forte abalo em sua saúde mental.
De acordo com o processo, o ex-servidor alegava que a mudança repentina de suas atividades o deixou isolado e desvalorizado profissionalmente. Nos autos, ele afirmou que a situação se agravou ao ponto de provocar sofrimento emocional intenso, motivando a ação judicial na tentativa de responsabilizar a instituição pelos danos que dizia ter sofrido.
No entanto, a Justiça extinguiu o caso antes mesmo da análise do mérito. O juiz responsável entendeu que a ação havia sido direcionada de forma inadequada, já que o processo foi movido contra a União. A decisão destacou que o Cefet possui autonomia administrativa e jurídica, não sendo um órgão subordinado diretamente à União a ponto de justificar sua inclusão na ação. Com isso, o processo foi encerrado sem julgamento.
A revelação de que o agressor havia acionado a Justiça meses antes do ataque reacende discussões sobre a saúde mental de servidores públicos, conflitos internos em instituições federais e mecanismos de prevenção a episódios de violência no ambiente de trabalho. Especialistas afirmam que acusações de assédio moral precisam ser investigadas com rigor, independentemente do desfecho, para evitar escaladas de tensão.
O caso trouxe à tona não apenas a tragédia ocorrida dentro do Cefet, mas também alertas sobre falhas nos sistemas de escuta, apoio psicológico e resolução de conflitos no serviço público. Enquanto familiares das vítimas exigem respostas, cresce a pressão por medidas mais eficazes para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.












