Terror e Execução: Milícia impõe regra de sangue no Bairro Aliança, em Nova Iguaçu
O bairro Aliança, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, voltou a ser palco da brutalidade imposta pelas milícias que controlam a região. Desta vez, a vítima da chamada “cobrança interna” foi Demétrio, um dos membros mais antigos da organização criminosa. Ele foi executado a mando do chefe local conhecido como Varão, consolidando um ciclo de violência dentro do próprio grupo.

A morte de Demétrio não é um caso isolado. Em 2022, seu irmão, conhecido como Batata, também foi eliminado pelos próprios comparsas. Na época, a execução de Batata chamou a atenção da comunidade e das autoridades, revelando a rigidez das regras internas da milícia, onde qualquer deslize, suspeita de traição ou desentendimento pode resultar em morte. Agora, dois anos depois, o mesmo destino alcançou Demétrio, reforçando a máxima de que, dentro da milícia, não há espaço para erros ou fraquezas.
A ascensão da violência interna
As execuções internas dentro de grupos paramilitares como a milícia não são novidade na Baixada Fluminense. Esses grupos operam com uma disciplina rígida, punindo com extrema violência qualquer comportamento considerado desleal ou prejudicial aos interesses da organização. A morte de Demétrio reforça a tese de que as disputas internas, muitas vezes motivadas por questões financeiras, de poder ou mesmo suspeitas de traição, são tratadas de forma implacável.
Fontes não oficiais apontam que a execução de Demétrio teria sido ordenada após suspeitas de que ele estaria agindo de forma independente em algumas áreas controladas pela milícia, sem prestar contas ao chefe Varão. A “quebra de hierarquia” é um dos motivos mais comuns para as chamadas “cobranças internas”, onde aqueles que desrespeitam as regras impostas pelos líderes são brutalmente eliminados.
Clima de medo e silêncio
Os moradores do bairro Aliança vivem em constante estado de medo e insegurança. A presença ostensiva da milícia impõe uma espécie de “lei do silêncio”, onde falar sobre o assunto pode ter consequências fatais. Muitos relatos dão conta de que o clima na região está cada vez mais tenso, com toques de recolher informais e cobranças abusivas que fazem parte do cotidiano da população.
A execução de Demétrio aumenta ainda mais o clima de incerteza, pois indica que há uma disputa de poder ou uma reorganização dentro da estrutura criminosa local. Para os moradores, resta apenas conviver com a realidade cruel imposta por esses grupos armados, enquanto as forças de segurança enfrentam dificuldades para desmantelar a rede de influência e poder da milícia na região.
Respostas das autoridades
Até o momento, não houve pronunciamento oficial das autoridades sobre o caso. A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) deve assumir as investigações, mas a experiência mostra que crimes relacionados à milícia são de difícil elucidação, devido ao medo de testemunhas e à influência dos criminosos dentro das comunidades.
Enquanto isso, a morte de Demétrio entra para a longa lista de execuções motivadas por disputas internas no mundo do crime, deixando uma pergunta no ar: quem será o próximo?




