O aumento constante no preço do gás de cozinha tem provocado mudanças significativas na rotina de milhares de famílias brasileiras. Com o botijão chegando à marca de R$ 140 em diversas regiões do país, muitos consumidores estão sendo forçados a buscar alternativas para manter o preparo de suas refeições — e uma delas vem direto do passado: o fogão a lenha.
A alta no valor do gás liquefeito de petróleo (GLP) impacta principalmente as camadas mais vulneráveis da população, que já enfrentam dificuldades para equilibrar o orçamento doméstico. Diante desse cenário, o retorno ao uso de lenha tem sido visto como uma solução mais econômica, apesar dos desafios e riscos envolvidos.
Em áreas rurais e até mesmo em regiões urbanas mais periféricas, a cena do fogão a lenha voltou a ser comum. Famílias relatam que passaram a utilizar madeira recolhida ou comprada a preços mais acessíveis do que o gás. Em alguns casos, o uso é combinado: o gás fica reservado para situações emergenciais, enquanto a lenha assume o papel principal no dia a dia.
Especialistas alertam, no entanto, que essa alternativa pode trazer consequências negativas. A queima de lenha em ambientes fechados, por exemplo, aumenta a exposição à fumaça, o que pode causar problemas respiratórios, especialmente em crianças e idosos. Além disso, há preocupação com o impacto ambiental, já que o aumento da demanda por lenha pode incentivar o desmatamento ilegal.
Outro ponto levantado é o retrocesso social. O acesso ao gás de cozinha sempre foi considerado um indicador de qualidade de vida e desenvolvimento. O retorno ao fogão a lenha evidencia um cenário de insegurança energética, onde itens básicos voltam a se tornar inacessíveis para parte da população.
Enquanto isso, programas sociais e políticas públicas voltadas para a redução do preço do gás ou distribuição gratuita ainda são considerados insuficientes por especialistas e pela população afetada. A expectativa é que medidas mais efetivas sejam adotadas para aliviar o peso no bolso dos brasileiros.
Até lá, o cheiro de comida feita no fogão a lenha volta a fazer parte da rotina — não por tradição ou escolha, mas por necessidade.




