Na Penha, o motoboy colombiano Manuel Lopez Murillo, de 25 anos, afirma que criminosos o mantiveram em cativeiro após confundirem-no com integrante de uma facção rival. Ele estava desaparecido desde que saiu para trabalhar e, por fim, foi encontrado na última sexta-feira (17).
Segundo a Polícia Militar, agentes da Unidade de Polícia de Proximidade (UPP) do Complexo da Penha acharam Murillo desorientado e o levaram ao Hospital Estadual Getúlio Vargas. A vítima relata que escapou após três dias. A ocorrência chegou à 22ª DP (Penha), enquanto a Polícia Civil apura o caso e busca identificar os responsáveis.
Motoboy na Penha conta como foi abordado
Em entrevista na porta da delegacia, Murillo contou que havia deixado uma passageira nas proximidades. Enquanto ajudava a mulher, descrita por ele como idosa, um homem se aproximou de moto e pediu para ver seu telefone.
O suspeito, segundo o motoboy, notou um intercomunicador no capacete e o acusou de escutar conversas. Em seguida, chamou-o de “alemão” e “X-9”, termo usado para se referir a um informante, e acionou outro homem pelo rádio.
“Aí o colega dele veio, e eu tive que subir de garupa da moto e eles me levaram lá para dentro”, relatou Murillo. Imagens que circulam nas redes sociais mostram policiais militares ajudando o homem e o reencontro com a mulher, enquanto ele aparenta estar abalado.
Vítima diz que escapou por uma janela
Murillo afirma que os criminosos o amarraram e o colocaram na caçamba de um carro antes de levá-lo a outro local. Em seguida, segundo o relato, ele ficou em um quarto sem conseguir ver a luz do dia.
O motoboy disse que calculou ter passado cinco dias no cativeiro, mas a mulher confirmou que foram três. Em seguida, percebeu uma janela parcialmente aberta e conseguiu fugir por ela.
“Eu comecei a descer da favela no desespero. Quando estava descendo, vinha uma viatura da UPP. Aí eles me encontraram de frente”, contou. Então, pediu ajuda aos policiais, que o socorreram.
Investigação ficará a cargo da 38ª DP
De acordo com a 22ª DP, policiais militares conduziram a vítima à unidade. As informações preliminares indicam que os criminosos assaltaram o motoboy e, durante a ação, confundiram-no com um integrante de uma facção rival. Depois, agrediram Murillo e o levaram para uma comunidade, onde ficou em cárcere privado.
O caso seguirá para a 38ª DP (Brás de Pina), que dará continuidade às investigações. Enquanto isso, a Polícia Civil realiza diligências para apurar a autoria do crime.
O Comando Vermelho (CV) domina o Complexo da Penha. Além disso, Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso, é apontado como uma das principais lideranças na região.



