A investigação conduzida pela Polícia Federal sobre um suposto esquema de financiamento ilegal envolvendo o jogo do bicho no Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo após a apreensão de planilhas atribuídas ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. De acordo com os investigadores, os documentos registram cerca de R$ 29,3 milhões em supostos repasses destinados a políticos do estado, tanto por meio de transferências diretas quanto por intermédio de uma rede de gráficas apontadas como integrantes do esquema.
Segundo a PF, o material foi obtido durante a Operação Unha e Carne e passou a integrar um conjunto de provas que busca esclarecer a influência da organização criminosa em campanhas eleitorais e na estrutura política fluminense. Os investigadores trabalham para verificar a autenticidade dos registros, identificar a origem dos recursos e entender qual teria sido a finalidade dos pagamentos descritos nas planilhas.
Entre os nomes mencionados nos documentos aparecem o do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar. A simples citação dos nomes, entretanto, não significa que tenha havido comprovação de recebimento dos valores ou de qualquer prática criminosa. Até o momento, o conteúdo das planilhas representa um elemento sob investigação, que ainda será analisado durante o andamento do processo.
As apurações também alcançaram outras pessoas apontadas como integrantes do suposto esquema. Entre elas está o pastor Márcio Pôncio, que chegou a ser preso preventivamente durante a operação. Posteriormente, a Justiça decidiu substituir a prisão por medidas cautelares em razão de seu estado de saúde.
As defesas dos citados contestam as conclusões preliminares da investigação. Cláudio Castro afirma não possuir qualquer relação financeira, comercial ou pessoal com Adilsinho e sustenta que todas as prestações de contas de suas campanhas seguiram as exigências da legislação eleitoral. Rodrigo Bacellar também nega qualquer irregularidade e declara que sempre atuou dentro da legalidade. Os advogados dos demais investigados igualmente afirmam que seus clientes irão demonstrar a inexistência de crimes ao longo da instrução processual.
A Polícia Federal destaca que as investigações continuam e que novas diligências poderão ser realizadas para confirmar as informações constantes nas planilhas e identificar a eventual participação de outras pessoas. O material apreendido será submetido a perícias e confrontado com dados bancários, fiscais e eleitorais.
O caso chama atenção pelo possível alcance político das investigações e pelo volume de recursos registrados nos documentos. Apesar da repercussão, especialistas lembram que a existência das planilhas, por si só, não comprova a ocorrência dos pagamentos nem eventual responsabilidade criminal dos citados. A apuração segue em andamento, e eventuais acusações dependerão da produção de novas provas e das decisões da Justiça. Todos os investigados têm assegurados o direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.




