PF encontra planilhas de bicheiro com mais de R$ 10 milhões associados a políticos do RJ, Veja quem são

 

 

 

Documentos apreendidos pela Polícia Federal com o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontam supostos pagamentos que ultrapassam R$ 10 milhões associados a cinco políticos e aliados da família Bolsonaro no Rio de Janeiro. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (18) pelo ICL Notícias, com base em documentos que integram investigações sobre a atuação do crime organizado na política fluminense.

As planilhas foram encontradas em novembro de 2022, durante uma fase da Operação Smoke Free, que investigava o comércio ilegal de cigarros no estado. O material voltou a ser analisado pela Polícia Federal em 2026, dentro da Operação Unha e Carne, que apura possíveis relações entre organizações criminosas e agentes públicos.

Segundo a reportagem, os documentos relacionam 61 pessoas, sendo a maioria políticos e partidos. Em determinados casos, os registros utilizam codinomes, o que levou os investigadores a buscar a identificação dos possíveis destinatários.

Entre os nomes relacionados estão o ex-governador Cláudio Castro (PL), com R$ 3,63 milhões; Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, com R$ 5,43 milhões; o deputado federal Hélio Lopes (PL), com R$ 323,2 mil; o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência Alexandre Ramagem (PL), com R$ 91,8 mil; e Gutemberg Fonseca (PL), ex-secretário do governo Castro e candidato a deputado federal, com R$ 727,9 mil. A soma dos cinco registros chega a aproximadamente R$ 10,2 milhões.

No caso de Bacellar, o nome aparece associado ao codinome “Barba” nas planilhas. A identificação é atribuída aos investigadores, enquanto a defesa do político nega que ele tenha utilizado esse apelido ou recebido dinheiro de Adilsinho.

Os registros, porém, não significam automaticamente que os valores tenham sido efetivamente pagos. Segundo informações divulgadas sobre o material, a própria investigação considera necessário cruzar as anotações com dados bancários, fiscais, eleitorais e prestações de contas para verificar a origem e o destino das quantias.

Também foram apresentadas negativas por parte de alguns citados. Gutemberg Fonseca declarou que não conhece Adilsinho e que nunca recebeu recursos dele. Hélio Lopes afirmou não reconhecer os valores e disse que suas contas eleitorais foram declaradas e aprovadas. A defesa de Adilsinho também nega pagamentos a agentes públicos e questiona a origem dos documentos.

O caso permanece sob investigação e os registros deverão ser confrontados com outras evidências antes de qualquer conclusão definitiva sobre eventuais pagamentos, responsabilidades ou irregularidades.