A Polícia Civil realiza uma operação, na manhã desta quinta-feira (20), contra a maior quadrilha de receptação de veículos para clonagem do Rio. Até o momento, sete pessoas foram presas. Segundo as investigações, os carros usados pela organização criminosa eram fruto de roubos e golpes.
A ação, batizada de Operação Glon, tem como objetivo cumprir 17 mandados de prisão e 70 de busca e apreensão. Entre os presos, está uma ex-funcionária de uma empresa terceirizada que presta serviços para o Detran, identificada como Hortência de Barros Walter. De acordo com a Civil, os automóveis passavam por adulteração de sinais identificadores e depois eram vendidos, com documentos veiculares expedidos pela ex-funcionária do Detran.
A investigação foi iniciada a partir da prisão em flagrante, pelo crime de receptação, de um homem que estava com um veículo Kia/Cadenza clonado. Os sinais identificadores do veículo estavam adulterados, com exceção do número do motor, que ainda não havia sido adulterado, o que permitiu verificar que o carro era produto de roubo ocorrido em Alcântara, São Gonçalo, na Região Metropolitana. Mais de 13 mil ligações e trocas de mensagens foram analisadas e revelaram que a quadrilha atua em toda Região Metropolitana, Região dos Lagos, no Norte, Nordeste e Noroeste Fluminense, bem como nos estados de São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais.
Ainda segundo as investigações, o grupo atua há pelo menos cinco anos. A quadrilha adquiria os veículos de diversas maneiras, mas os principais fornecedores eram traficantes que repassam veículos roubados. Eles também compravam carros que eram alugados, por meio de fraude, em locadoras e não devolvidos, bem como de proprietários que realizavam o golpe de seguro, simulando o roubo para obtenção do valor assegurado, repassando em seguida o automóvel ao grupo.
Após adquirirem os veículos, os criminosos passavam a realizar uma série de consultas a banco de dados a fim de levantar as informações necessárias para a clonagem. Após a adulteração dos sinais identificadores, como número do chassis, motor, numeração dos vidros, eles conseguiam a emissão da documentação junto ao Detran, por meio de uma integrante da quadrilha que trabalhava não órgão, que possibilitavam que os veículos fossem revendidos e que pudessem circular com aparente legalidade.
A organização criminosa, de acordo com a Civil, é estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, tendo como líderes Sílvio Ricardo, Alexander Gomes e Carlos Alberto. Entre os integrantes, eram divididas as funções de adulteração, transporte e revenda dos veículos.
O inquérito resultou no indiciamento de 25 pessoas apontadas como integrantes da quadrilha, sendo que 17 deles tiveram a prisão preventiva decretada.
As investigações estão sendo realizadas pela 32ª DP (Taquara).




