Moradores do Complexo da Serrinha, em Madureira, na Zona Norte do Rio, acordaram e saíram para trabalhar ao som de tiros pelo segundo dia seguido. A Polícia Militar retornou à comunidade nesta sexta-feira para tentar localizar e prender os suspeitos pela morte do tenente da PM Cleiton da Costa Sales, de 31 anos, baleado ontem durante a retirada de barricadas na favela. A ação realizada no local na quinta-feira visava a desbloquear vias interditadas por obstáculos colocados pelo tráfico.
Nesta manhã, pelo menos dois blindados e agentes do Comando de Operações Especiais (Coe) — entre eles homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Ações com Cães (BAC) — percorrem por becos e vielas da comunidade atrás dos responsáveis pela morte de Sales.
O patrulhamento foi reforçado na Avenida Ministro Edgar Romero, uma das principais do bairro, paralela à comunidade. A assessoria de imprensa da Polícia Militar ainda não informou se há pessoas feridas ou presas e se já houve apreensões. Até às 9h, O GLOBO não havia presenciado nenhuma prisão.
O Disque Denúncia oferece recompensa de R$ 5 mil para quem der informações que levem à prisão dos assassinos do policial militar. Após ser alvejado, os colegas do oficial ainda tentaram socorrê-lo. Dois agentes o colocaram no ombro, em meio aos tiros disparados por criminosos. O tenente foi levado para o Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, na Zona Norte, mas não resistiu aos ferimentos.
Segundo a PM, Cleiton é o 23º policial morto este ano no Rio. Ele vai ser enterrado nesta sexta-feira, às 14h, no Cemitério Jardim da Saudade de Paciência, na Zona Oeste da cidade. O militar deixa esposa e filho.
Na ação de quinta-feira, foram apreendidos 402 munições de calibres variados e 16 tabletes de maconha.
Operações em casos “excepcionais”
No começo de junho, o Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão liminar, proibiu que as polícias militar e civil realizassem operações policiais em comunidades do Rio enquanto durar a pandemia do novo coronavírus. A decisão, no entanto, permite operações somente em “hipóteses absolutamente excepcionais”, sem exemplificar quais seriam. Nesses casos, serão necessárias justificativas por escrito — com comunicação imediata ao Ministério Público (MP-RJ). O órgão é o responsável pelo controle externo da atividade policial.
Na ação desta quinta-feira (18), a PM informou que os policiais estavam na comunidade tentando estabilizar a situação para remover os obstáculos das vias públicas e que houve confronto na região. Disse ainda que essa era uma operação previamente planejada, na qual foram adotadas as medidas previstas na decisão do STF.




