O clima esquentou nos bastidores da política fluminense após a decisão do Partido dos Trabalhadores de instaurar uma investigação interna contra a deputada estadual Carla Machado (PT). A medida foi anunciada depois que a parlamentar contrariou a orientação oficial da legenda e votou pela revogação da prisão de Rodrigo Bacellar, em sessão realizada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Carla foi a única deputada do PT a se posicionar a favor da soltura de Bacellar, preso no dia 3 de dezembro durante a Operação Unha e Carne, que apura o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun. Na votação, o plenário decidiu revogar a prisão por 42 votos a 21, com duas abstenções — um resultado que dividiu opiniões e provocou forte repercussão política.
Segundo nota divulgada pelo diretório estadual, o voto de Carla representou uma “desconsideração às decisões partidárias” e teria comprometido a “unidade interna” e a “condução política coletiva” da bancada. A sigla reforçou que a orientação era clara: votar pela manutenção da prisão, em alinhamento com o entendimento majoritário do campo progressista.
Diante do episódio, o PT determinou a abertura de um procedimento no âmbito da Comissão de Ética, que irá analisar se houve quebra de orientação ou conduta contrária ao estatuto partidário. A deputada terá direito ao contraditório e à ampla defesa, como prevê o regimento interno da legenda. Caso sejam identificadas infrações, o processo pode levar a advertências, punições administrativas ou até sanções mais severas, dependendo das conclusões da comissão.
Carla Machado, que foi prefeita antes de assumir o mandato na Alerj, é conhecida por sua atuação em pautas sociais e integra comissões importantes, como Criança, Adolescente e Idoso; Turismo; e Prevenção e Combate à Pirataria, além de coordenar a Frente Parlamentar em Defesa da Pessoa com Autismo. Eleita com mais de 34 mil votos, a deputada tem forte base eleitoral em seu município de origem.
O caso reacende debates sobre disciplina partidária, independência de voto e os limites da autonomia parlamentar em temas sensíveis. A revogação da prisão de Bacellar, que já havia causado surpresa pela divisão da casa, agora gera novos desdobramentos dentro do próprio campo político que se posicionava contra a medida.
A expectativa é de que o processo interno no PT avance nos próximos dias, enquanto a repercussão do voto de Carla continua a movimentar os corredores da Alerj e as discussões entre dirigentes, aliados e militantes. O episódio promete continuar chamando atenção no cenário político do Rio de Janeiro.



