A candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos) ao Governo do Rio ganhou um novo e inesperado capítulo no cenário eleitoral fluminense. Desta vez, a ofensiva partiu de Victor Travancas, advogado que até recentemente integrava a defesa jurídica do ex-governador e que decidiu romper com o político e renunciar aos mandatos em que o representava.
Após o rompimento, Travancas protocolou no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) uma notícia de inelegibilidade contra Garotinho. No documento, segundo as informações apresentadas, o advogado sustenta que o ex-governador estaria com os direitos políticos suspensos e questiona a possibilidade de sua candidatura ao Palácio Guanabara.
Travancas também teria feito acusações contundentes contra o antigo cliente, alegando que Garotinho estaria agindo de “má-fé” e tentando “burlar o sistema”, numa estratégia que, segundo ele, poderia provocar confusão tanto na Justiça quanto entre os eleitores.
A iniciativa chama atenção justamente pela origem. Não se trata apenas de uma contestação apresentada por um adversário político ou por alguém historicamente contrário a Garotinho. O autor da medida foi, até pouco tempo atrás, integrante da equipe jurídica responsável por defender o ex-governador em suas disputas judiciais.
O episódio ocorre em meio a novas dúvidas sobre a situação jurídica do candidato. Uma certidão atualizada do Cadastro Nacional de Condenações por Improbidade Administrativa e Inelegibilidade, mantido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), teria confirmado a existência de registro de condenação com sanção ativa em nome de Garotinho.
A própria certidão, contudo, ressalva que a existência de uma condenação ou sanção registrada não significa, por si só, que a inelegibilidade esteja automaticamente configurada. A análise sobre a possibilidade de candidatura cabe à Justiça Eleitoral, que deverá avaliar as circunstâncias jurídicas do caso e aplicar a legislação eleitoral pertinente.
Com isso, o futuro da candidatura passa a depender também da tramitação dos questionamentos apresentados à Justiça. A notícia de inelegibilidade protocolada por Travancas deverá ser analisada pelas autoridades competentes, enquanto a defesa de Garotinho poderá apresentar seus argumentos e contestar os pontos levantados.
O novo capítulo aumenta a pressão sobre uma candidatura que já vinha enfrentando mudanças e turbulências políticas. Depois de sucessivas trocas de vice, rompimentos e agora uma contestação apresentada por seu ex-advogado, Garotinho volta ao centro de uma disputa jurídica que pode ter consequências importantes para sua campanha.
A questão central, neste momento, permanece nas mãos da Justiça Eleitoral: Garotinho poderá manter sua candidatura e chegar às urnas, ou os questionamentos jurídicos poderão alterar o rumo da disputa pelo Governo do Rio?




