Ela é administradora, mãe de uma menina de 11 anos com autismo e relata as dificuldades do dia a dia. “Eles não conseguem esperar, alguns têm receio ao toque, barulho e movimento excessivos. Estão entre eles, então os pais não precisam se preocupar com olhares tortos, julgamentos”, declara Ana Sauter.
Cerca de 40 famílias confirmaram a presença no evento, inclusive Paulo dos Santos que é policial e levou os filhos para brincar no vídeo game. Samuel tem dois anos, foi diagnosticado com autismo bem cedo e os pais iniciaram o tratamento. “É importante saber da deficiência o quanto antes, assim realiza os acompanhamentos adequados e consegue uma melhora no quadro”.
O pai conta que descobriram o autismo de Samuel após reparar que diferente da irmã da mesma idade, ele não falava e nem dava sinais que entendesse o que estava acontecendo ao redor. “O comportamento era diferente, então levamos no neuropediatra que deu o diagnóstico. Agora ele realiza vários acompanhamentos e isso tem ajudado no seu desenvolvimento”, afirma.
Paulo comenta que quando o espaço é aberto, o barulho e até a iluminação incomodam. “É muita informação, então sobrecarrega. Desta vez podemos ficar mais tempo, pois fica brincando e passando a mão na barba do Papai Noel”, relata.
A professora Regina Quintana se mudou para Campo Grande há 8 meses, após descobrir que o filho Arthur de 3 anos sofria do transtorno do espectro autista. “Na época ele tinha 1 ano e 8 meses e tivemos que vir de Bela Vista para proporcionar o tratamento adequado a ele. Tem muita dificuldade de interação e se o lugar tivesse cheio não entrava por conta do barulho. Fica irritado, chora”.
Tem dias difíceis e tranquilos, e assim como Arthur a mãezona também está se adaptando. “Tivemos uma evolução satisfatória, antes ele não se comunicava, hoje já mostra o que quer”, comenta Regina.
Quem também levou os filhos para conhecerem o shopping foi Ana Paula Oliveira. Ela é professora, mãe de três crianças, o João de 9 anos e os gêmeos Ana e Pedro de 3 anos, que nasceram com autismo. “Descobri no começo do ano e foi um choque, mas depois fomos nos adaptando. Eles sentem medo de ficar em locais movimentados por conta do problema sensorial. Ter um espaço para levá-los é importante porque não queremos que eles vivam normalmente”.
Foram duas horas de diversão. A criançada chegava tímida no local, com medo, mas logo viam os brinquedos e outras crianças correndo e se soltavam. Enquanto uns aproveitavam os brinquedos, outros ficaram encantados com a árvore de Natal gigante e com a presença do Papai Noel. Entre uns minutos e outros, paravam o que estavam fazendo para tomar o café da manhã saboroso preparado especialmente para eles.
