Uma mãe registrou um boletim de ocorrência na 35ª DP (Campo Grande) para denunciar as ameaças que seu filho, um estudante de 16 anos do Colégio Estadual Hélio Pelegrino, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, vem sofrendo por um grupo de alunos do primeiro ano dentro da escola. Segundo a mãe, que preferiu não se identificar devido à violência, seu filho foi encurralado por mais de 15 alunos no pátio da escola, por volta das 11h do dia 10, e sofreu ameaças e empurrões.
O grupo, composto por jovens de 16 a 18 anos, acusa o adolescente de criar páginas de fofoca em uma rede social, divulgando informações falsas sobre eles. As páginas em questão eram chamadas de “Explana Helio” e “Notícias Helio”, mas seus perfis já foram deletados. O jovem nega ter criado as páginas e, quando foi encurralado pelos estudantes, permitiu que todos vissem seu celular para provar que não tinha envolvimento. Mesmo assim, o grupo continuou com as intimidações.
No mesmo dia, quando chegou em casa, o aluno passou a receber mais ameaças em suas redes sociais e também em um grupo de mensagens da escola. Os agressores expressaram ódio e afirmaram que o rapaz não deveria mais voltar para a escola, pois seria agredido fisicamente por eles.
Assustado e com medo, o estudante relatou o ocorrido para sua mãe, que imediatamente procurou a direção do colégio estadual. No entanto, ela afirma que não recebeu apoio por parte da diretora. A direção apenas registrou o incidente em uma ata e pediu uma reunião com os responsáveis, mas até o momento nada foi feito. O aluno já está há mais de uma semana sem frequentar a escola e perdendo aulas.
Além disso, a mãe teve seu pedido de uma cópia da ata negado pela direção, que a orientou a registrar um boletim de ocorrência. Ela denunciou o caso à delegacia de Campo Grande e está tentando obter as imagens das câmeras de segurança da escola, pois acredita que essas imagens podem ajudar na identificação dos envolvidos. A mãe ressalta que, sendo o primeiro ano do seu filho naquela escola, ele não conseguiu reconhecer todos os membros do grupo, mas conhece cerca de três deles que são da mesma sala que ele. A mãe também destaca que a escola é grande, com um total de seis turmas apenas no primeiro ano.
Enquanto solicitava uma ação mais eficaz por parte da direção, a mãe lembra das opções que lhe foram dadas: enviar seu filho para a aula mesmo assim ou mudá-lo de escola. No entanto, ela não deseja tirá-lo de lá, pois ele já se adaptou, fez amigos, mas ainda sente medo. Ela quer que esses adolescentes sejam punidos de alguma forma, pois estão agindo sem limites e não respeitam ninguém. A mãe expressa preocupação de que, se apenas trocar seu filho de escola, algo semelhante ou até mais grave possa ocorrer com outro aluno.
O caso foi registrado na 35ª DP (Campo Grande) como calúnia e ameaça. Na próxima semana, a diretora do Colégio Estadual Hélio Pelegrino e os responsáveis pelos alunos envolvidos serão ouvidos pela delegacia. O adolescente ameaçado já prestou depoimento e aguarda o desfecho das investigações.
Ao ser procurada, a Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro afirmou que todos os responsáveis pelos alunos envolvidos compareceram à escola e foram ouvidos. Além disso, informou que o Conselho Tutelar está acompanhando o caso e que a secretaria está avaliando a abertura de uma sindicância. A Secretaria de Educação enfatizou, por meio de nota, que repudia qualquer forma de agressão, não compactua com a violência e a discriminação.




