Milhares de clientes do Itaú podem ter direito a receber valores de volta após a revelação de que seguros foram cobrados em cartões de crédito ao longo dos últimos 14 anos sem comprovação adequada de contratação em diversos casos. A situação veio à tona após um acordo firmado entre o banco, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec).
Segundo as investigações, alguns consumidores tiveram seguros vinculados aos seus cartões de crédito, especialmente aqueles emitidos em parceria com redes varejistas, sem que houvesse comprovação clara de que a contratação foi autorizada. Também foram identificados casos em que cobranças continuaram sendo realizadas mesmo após solicitações de cancelamento.
O período abrangido pelo acordo vai de 13 de junho de 2011 até 18 de dezembro de 2025. Durante esse intervalo, muitos clientes podem ter pago mensalmente por serviços que sequer sabiam estar ativos em suas faturas. Como os valores cobrados geralmente eram baixos, diversas pessoas não perceberam os débitos ao longo dos anos.
A partir do acordo, o Itaú se comprometeu a analisar os casos apresentados pelos consumidores e realizar o ressarcimento quando forem constatadas irregularidades. Para isso, os clientes precisam demonstrar que houve cobrança indevida e que registraram reclamações por meio dos canais oficiais até a data estabelecida no acordo.
Apesar da repercussão do caso, o banco afirma que a assinatura do acordo não representa uma admissão formal de culpa. De acordo com a instituição financeira, a medida tem como objetivo encerrar uma disputa judicial que se arrastava há anos e oferecer uma solução consensual para os consumidores que se sentirem prejudicados.
Especialistas orientam que correntistas e ex-correntistas revisem faturas antigas e verifiquem a existência de cobranças relacionadas a seguros ou serviços adicionais. Caso encontrem valores desconhecidos, é recomendável reunir documentos e buscar informações sobre os procedimentos de análise e eventual restituição.
O caso reacende o debate sobre a transparência na oferta de produtos financeiros e reforça a importância de os consumidores acompanharem atentamente todas as cobranças realizadas em seus cartões de crédito.




