Em uma decisão que promete gerar forte repercussão no sistema de segurança pública do estado, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) determinou que o contraventor Rogério de Andrade deixe o presídio federal onde está custodiado e retorne para uma unidade prisional do Rio. A justificativa do tribunal é de que ele “não possui perfil para permanecer no sistema federal”, entendimento que abre caminho para sua transferência de volta ao sistema estadual.
Rogério de Andrade está preso desde outubro de 2024, acusado de ser o mandante do assassinato de Fernando Iggnácio, morto em novembro de 2020 em um atentado a tiros no estacionamento do Aeroporto de Jacarepaguá. O crime reacendeu, à época, a disputa histórica entre grupos ligados ao jogo do bicho e à exploração de máquinas caça-níqueis no estado do Rio de Janeiro.
A permanência de Rogério no sistema federal vinha sendo defendida por órgãos de segurança com o argumento de que sua influência criminosa e seu histórico dentro da contravenção justificariam a manutenção em presídio de segurança máxima. No entanto, o TJRJ entendeu que não há elementos que enquadrem o contraventor no perfil exigido pelas normas do Sistema Penitenciário Federal, que geralmente abriga lideranças do crime organizado consideradas de altíssima periculosidade ou que exerçam forte poder de articulação de dentro das cadeias estaduais.
Com a decisão, a Secretaria de Administração Penitenciária do Rio (Seap) deverá ser comunicada para providenciar a transferência do detento. A mudança reacende discussões sobre riscos, atuação de grupos criminosos e a capacidade do sistema prisional fluminense de manter custódia segura de presos de alta relevância no cenário da contravenção.
O caso segue em andamento, e Rogério de Andrade continua respondendo às acusações pela morte de Fernando Iggnácio. A decisão marca um novo capítulo em uma disputa que há anos movimenta os bastidores da criminalidade no Rio de Janeiro.




