Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso revelou novos detalhes sobre o suposto envolvimento de uma missionária com integrantes do Comando Vermelho. Presa durante a Operação Fariseus, deflagrada em julho, Rhavenna Barcelos de Almeida é investigada por utilizar atividades de assistência religiosa em presídios para, segundo a polícia, facilitar a comunicação entre integrantes da facção, transportar informações e movimentar recursos.
De acordo com o relatório da investigação, Rhavenna mantinha um relacionamento com Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, apontado pelas autoridades como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso. Após fugir para o Rio de Janeiro, ele teria permanecido escondido na região do Complexo do Alemão.
Segundo os investigadores, mensagens encontradas no celular da missionária indicariam que o criminoso compartilhava com ela informações sobre seu paradeiro e sobre operações policiais realizadas no Rio. A polícia afirma que os dois continuaram mantendo contato mesmo depois da fuga.
O caso também envolve os pais de Rhavenna, os pastores Orminda Carlos de Barcelos Almeida e Nivaldo de Almeida. A família participava do projeto “Equipe Evangelismo Resgatando Vidas”, autorizado a realizar atividades religiosas dentro de unidades prisionais de Mato Grosso.
Conforme a investigação, o acesso aos presídios teria sido utilizado de forma irregular para repassar recados, facilitar a entrada de celulares e movimentar dinheiro relacionado à organização criminosa. A polícia também afirma ter encontrado registros de conversas, fotografias e vídeos que apontariam relações dos investigados com integrantes da facção.
Os investigadores ainda apontaram movimentações financeiras consideradas suspeitas. Segundo a Polícia Civil, contas bancárias de familiares e terceiros teriam sido utilizadas para ocultar ou dissimular a origem de valores. Rhavenna e os pais foram indiciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Outras pessoas também foram investigadas no decorrer do caso.
A investigação aponta ainda que Rhavenna teria mantido contato com Renildo Silva Rios, que está preso e é apontado pelas autoridades como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso. Segundo os investigadores, ele teria enviado presentes à missionária e mantido contato com ela por meio de chamadas e mensagens.
A Justiça de Mato Grosso determinou que Rhavenna e outras pessoas fossem impedidas de participar de atividades de assistência religiosa em unidades prisionais. A Secretaria de Justiça informou que reforçou a fiscalização para impedir a entrada de celulares.
Rhavenna permaneceu em silêncio durante o interrogatório. Sua defesa nega as acusações e afirma que os fatos serão esclarecidos durante o processo. A defesa de Orminda também negou envolvimento com organização criminosa. Nivaldo morreu recentemente. O caso segue em investigação e as acusações ainda serão analisadas pela Justiça.




