É intrigante que esta grande festa do Cristianismo, em um mundo que muda tanto e tão rapidamente mantenha sua celebração por séculos e séculos, praticamente sem alterações.
Independente de uma pessoa ter religião, você comemorar o nascimento de alguém que veio espalhar palavras de fraternidade, piedade e compaixão, é uma festa de beleza. Afinal de contas, ninguém deixaria de apreciar uma mensagem que fala de amor ao próximo e fala da capacidade de convivência em paz. Desse ponto de vista o Natal é uma festa familiar que toca muitas pessoas, e mesmo quem não tem religião ou não é cristão acaba lembrando da festa como festividade de amorosidade. Por isso que nos últimos 1600 anos ela é lembrada no dia 25 de dezembro, apesar de que essa data aparece pela primeira vez só no Século IV.
Essa data não é certa, uma vez que há 2000 anos nascia “apenas” (para a época) um filho de carpinteiro – como era José – com uma menina de 14 anos de idade (Maria) lá nos confins da Palestina. A Igreja Cristã no século IV estabelece simbolicamente essa data do 25 de dezembro como celebração do nascimento do Cristo salvador. Alguns cristãos, seja os ortodoxos, seja na Grécia, no Egito ou na Rússia comemoram em 6 e 7 de janeiro, não em 25 de dezembro.
No dia 25 de dezembro os romanos tinham uma grande festa na antiguidade em homenagem ao Deus persa Mitra, o Natalis Solis Invicti (o Dia do Sol invicto, Sol que nunca acaba), e os cristãos fizeram coincidir de maneira direta o nascimento de Jesus com esse dia. Nem a Igreja Cristã coloca como questão de fé que seja dia 25 de dezembro, esta data é simbólica.
Em termos de significado, o dia 25 de dezembro se tornou o dia simbólico do nascimento do fundador da religião, daquele que é chamado de Jesus *Cristo* (sendo “Cristo” uma expressão religiosa), um outro modo de se referir ao nosso salvador é como a figura histórica Jesus de Nazaré. O Natal nos lembra a data de nascimento daquele que veio para purgar, para purificar os pecados da humanidade e por ela morreu; desse ponto de vista, não é a mais importante das festas cristãs, pois a mais “importante” é a Páscoa a marca do cristianismo que simboliza a vitória da vida sobre a morte; a Ressurreição de Cristo.
O Natal representa que sempre é possível que algo venha para melhorar aquilo que se tem. Não é atoa que se escolheu a data 25 de dezembro, pois entre 21 e 23 de dezembro temos o solstício de inverno (a noite mais longa do ano, sendo no Brasil o dia mais longo). Isso simboliza para a humanidade que mesmo que a noite seja absolutamente longa, o Sol há de brilhar mais uma vez, a luz há de chegar aos corações novamente. De fato, a Páscoa tem um impacto maior como significado na Ressurreição, mas o nascimento de uma criança pobre entre pessoas pobres, e que vem e traz uma mensagem, é algo verdadeiramente especial.
No entanto, poucos sabem que trocar presentes nessa época do ano antecede o nascimento do nosso salvador. Os romanos já tinham no passado uma festa chamada Saturnália que acontece exatamente no período de 17 a 27 de dezembro, em que se trocavam presentes. Os Reis Magos levaram os presentes a Jesus de Nazaré seguindo as tradições da Saturnália.
O presépio, como símbolo religioso, foi criado no século XIII por Francisco de Assis, trazendo a ideia de que Jesus saiu da humildade e da simplicidade para chegar à glória. O grande momento do presépio é a lembrança de simplicidade, a ideia de que você nada tem e quando se for nada levará também. É interessante também, que a ideia do Papai Noel aparece entre os povos da antiguidade com um bispo daquela região onde hoje seria a Turquia, na cidade de Mira, chamado Nicolau, conhecido na época por de noite distribuir presentes para as mulheres que não possuíam tantos recursos, e para crianças pobres. Como em holandês ele foi cultuado – na Europa em 6 de Janeiro – , ele é chamado, nesta língua, de Sinterklaas, no inglês ele foi chamado de Santa Claus, os franceses o chamam de Père Noël, os portugueses de Papai Natal e o Brasil uniu alguns desses fatores e resolveu chamar de Papai Noel, aquele que entrega presentes nessa época que lembra o nascimento de uma criança pobre que trouxe, na nossa crença cristã, a maior riqueza possível, que é uma alma que não se perde.
A troca de presentes, a simbologia do presépio e a memória do nascimento do Cristo salvador, no entanto, acabam perdendo boa parte do encanto quando faltam algumas pessoas na nossa ceia de Natal. Nessa época, a família deve permanecer unida, para se lembrar que Cristo veio justamente para que a humanidade, como família, também permaneça unida, e espalhemos sempre palavras de amor e perdão.
Referência: Mário Sérgio Cortella.




