Quase mil detentos beneficiados pela saída temporária não retornaram ao sistema prisional do Rio de Janeiro ao longo deste ano, acendendo um alerta máximo nas autoridades de segurança pública. Entre os que descumpriram a determinação judicial estão criminosos de alta periculosidade, incluindo chefes e integrantes ligados ao Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do estado.
A chamada “saidinha”, prevista em lei, tem como objetivo permitir que presos em regime semiaberto mantenham vínculos familiares e sociais, favorecendo a ressocialização. No entanto, os números revelam um cenário preocupante: o benefício vem sendo utilizado por muitos como oportunidade de fuga definitiva, reforçando a sensação de impunidade e insegurança da população.
Somente no período do Natal, 1.848 detentos receberam autorização para deixar as unidades prisionais. De acordo com as regras, todos devem se reapresentar até esta terça-feira à noite. A Secretaria de Administração Penitenciária monitora a situação e já se prepara para contabilizar quantos não irão cumprir o prazo, o que pode elevar ainda mais o número de foragidos.
A ausência de presos ligados a facções criminosas preocupa especialistas, que alertam para o fortalecimento do crime organizado nas ruas. Muitos desses indivíduos retornam diretamente às comunidades dominadas por grupos armados, reassumindo funções estratégicas no tráfico de drogas, extorsões e outras atividades ilegais.
Autoridades destacam que os presos que não retornam passam automaticamente à condição de foragidos da Justiça e podem perder benefícios futuros, além de responder por novo crime. Ainda assim, cresce a pressão por mudanças na legislação e critérios mais rigorosos para concessão da saída temporária, especialmente para condenados por crimes graves ou com ligação com organizações criminosas.
Enquanto isso, a população segue apreensiva, questionando se o modelo atual realmente contribui para a ressocialização ou se, na prática, tem servido como porta aberta para novas fugas e aumento da criminalidade no estado.




