Um laudo médico divulgado nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, pela Polícia Federal (PF), acendeu um sinal de alerta ao apontar alterações neurológicas nos exames realizados no ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O documento foi elaborado após a corporação identificar episódios recentes de queda e dificuldades de equilíbrio apresentados por Bolsonaro dentro da unidade prisional.
Segundo a PF, o histórico de instabilidade ao caminhar levou a equipe pericial a realizar uma avaliação neurológica detalhada, com foco em sinais clínicos que pudessem indicar riscos à saúde do ex-presidente. No exame físico, os peritos constataram alterações neurológicas relevantes e levantaram hipóteses clínicas com base nas informações médicas disponíveis até o momento.
O laudo não aponta um diagnóstico fechado, mas destaca a necessidade de cautela. Entre as possibilidades levantadas estão déficits de micronutrientes, como vitamina B12 e ácido fólico, além de efeitos adversos causados pela chamada polifarmácia — uso simultâneo de diversos medicamentos — prática comum em pacientes com histórico médico complexo. Esses fatores, segundo a PF, podem provocar sintomas como tontura, lentificação psicomotora e aumento do risco de quedas.
Apesar da gravidade dos achados, a Polícia Federal esclareceu que, neste momento, não há indicação de internação hospitalar imediata. No entanto, o relatório recomenda acompanhamento médico contínuo e avaliações complementares, preferencialmente por uma equipe multiprofissional, para investigar com mais profundidade a origem das alterações neurológicas detectadas.
A divulgação do laudo ocorreu após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A solicitação foi feita depois que Bolsonaro sofreu uma queda no início de janeiro, ocasião em que bateu a cabeça e foi diagnosticado com traumatismo craniano leve, aumentando a preocupação das autoridades quanto ao seu estado de saúde.
O caso gera repercussão política e jurídica, uma vez que envolve um ex-chefe de Estado sob custódia do sistema prisional. Especialistas avaliam que laudos médicos desse tipo podem influenciar decisões judiciais futuras, principalmente no que diz respeito às condições de detenção.
Enquanto isso, o cenário permanece cercado de incertezas. As alterações neurológicas identificadas reforçam o clima de tensão em torno da situação de Jair Bolsonaro e levantam questionamentos sobre os próximos passos das autoridades diante de um quadro clínico que, embora ainda inconclusivo, é tratado como potencialmente grave.
