Moradores de comunidades da Zona Oeste do Rio de Janeiro denunciaram uma nova e polêmica imposição atribuída a grupos milicianos que atuam em bairros como Campo Grande, Santa Cruz e Paciência. Segundo relatos recebidos por moradores e fontes locais, jovens estariam sendo proibidos de pintar os cabelos de vermelho para evitar qualquer associação ao Comando Vermelho (CV), facção criminosa rival da milícia.
A ordem teria começado a circular nesta segunda-feira e, de acordo com as informações, vem sendo repassada de forma direta nas comunidades, gerando medo e insegurança entre famílias e, principalmente, entre adolescentes e jovens adultos. A cor vermelha é historicamente associada ao Comando Vermelho, e a proibição seria uma tentativa de reforçar o controle territorial e simbólico exercido pelos milicianos nessas regiões.
Moradores relatam que a medida, apesar de aparentemente banal, representa mais uma forma de intimidação e vigilância sobre a vida cotidiana da população. “Não é só sobre o cabelo. É sobre mostrar quem manda e até como a pessoa pode se vestir ou se expressar”, afirmou um morador, que pediu para não ser identificado por medo de represálias.
Especialistas em segurança pública destacam que esse tipo de regra é comum em áreas dominadas por grupos armados, sejam facções ou milícias. O objetivo é criar códigos visuais que identifiquem aliados, evitem suspeitas e reforcem o poder local. No entanto, tais práticas configuram grave violação de direitos individuais, como a liberdade de expressão e o direito de ir e vir sem constrangimento.
Até o momento, não houve posicionamento oficial das autoridades de segurança sobre as denúncias. A Polícia Militar e a Polícia Civil costumam orientar que qualquer ameaça ou coação seja registrada, embora moradores afirmem que o medo dificulta denúncias formais.
A situação evidencia mais uma vez o clima de tensão vivido na Zona Oeste, onde disputas entre grupos criminosos impactam diretamente a rotina da população, transformando até escolhas pessoais, como a cor do cabelo, em motivo de risco.




