A influenciadora digital Michele Dias Abreu foi condenada a pagar uma indenização de R$ 50 mil por intolerância religiosa. A decisão judicial foi tomada após a criadora de conteúdo publicar um vídeo nas redes sociais em que atribuía as recentes enchentes no Rio Grande do Sul à “ira de Deus” e ao elevado número de terreiros de religiões de matriz africana no estado.
O caso gerou grande repercussão nas redes sociais, com milhares de usuários criticando a influenciadora pelo teor preconceituoso da publicação. O Ministério Público entrou com uma ação civil pública, alegando que as declarações de Michele configuravam discurso de ódio e estimulavam a discriminação contra religiões afro-brasileiras, o que fere a legislação brasileira.
Na sentença, o juiz destacou que a liberdade de expressão não pode ser usada como justificativa para discursos que promovam preconceito e incitem a intolerância. “O Estado brasileiro é laico e deve garantir a livre manifestação religiosa, respeitando todas as crenças. Atribuir uma tragédia natural a um grupo religioso específico é uma forma clara de disseminar intolerância e ódio”, afirmou o magistrado.
A indenização de R$ 50 mil deverá ser destinada a instituições que atuam na defesa da liberdade religiosa e no combate à discriminação. A influenciadora também foi obrigada a remover o vídeo de suas redes sociais e a publicar uma retratação pública em seus perfis, esclarecendo que suas declarações foram inadequadas e reforçando a importância do respeito à diversidade religiosa.
Especialistas em direitos humanos ressaltam que casos como esse são fundamentais para reafirmar a responsabilidade das figuras públicas sobre o impacto de seus discursos. “Influenciadores têm um grande alcance e precisam compreender que suas palavras podem fomentar preconceitos ou promover respeito. Decisões judiciais como essa ajudam a estabelecer limites e combater a intolerância”, destacou a advogada Maria Luíza Castro, especialista em direito digital e direitos humanos.
O episódio também reacendeu o debate sobre intolerância religiosa no Brasil, um país que, apesar de sua diversidade cultural e religiosa, ainda registra elevados índices de discriminação contra religiões de matriz africana. Dados recentes do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos apontam que os ataques a esses grupos cresceram nos últimos anos, o que reforça a necessidade de medidas educativas e repressivas para combater o problema.
Até o momento, Michele Dias Abreu não se manifestou oficialmente sobre a condenação. O caso segue como um marco na luta contra a intolerância religiosa no país.




